Juntos, conquistamos a GAS

14 09 2007

Enfim, após quase um ano de espera, os Agentes de Segurança da Justiça do Trabalho gaúcha podem comemorar. Foi publicada portaria do presidente do TRT da 4ª Região, instituindo o pagamento da GAS a todos os Agentes que não exercem FC ou CJ, a partir da folha a ser paga em setembro.

A implementação da GAS, que integra o PCS-3 e é fruto da greve nacional deflagrada em 2006, só foi conquistada após uma forte mobilização dos Agentes de Segurança e Transportes. Mesmo com o final do prazo estipulado para o pagamento (em junho deste ano), a administração do TRT insistia em aguardar por um ‘posicionamento’ do Conselho Superior da Justiça do Trabalho – que sequer esboçou, até hoje, regulamentar o assunto. A justificativa apresentada pelo TRT era a de que ‘não se sabia ao certo’ se os agentes que trabalham no Setor de Transportes teriam direito à GAS, ao passo que outros Tribunais já haviam implementado a Gratificação e quitado os passivos, inclusive quanto aos colegas que exercem atividades relacionadas ao transporte.

A direção do Sintrajufe, que já ‘negociava’ sobre a implementação da GAS desde o início do ano, se mostrou hesitante em conduzir a categoria à mobilização. Mesmo quando todos já percebiamos que somente o ‘diálogo de gabinete’ não surtiria o efeito desejado, os diretores do nosso sindicato sempre buscaram priorizar a ‘negociação’, justificando, inclusive, que uma mobilização poderia gerar desgaste entre o Sintrajufe e a administração do TRT. Essa postura absurda evidencia que a direção do sindicato prefere ver os colegas em situação de defasagem salarial a perder o ‘trânsito’ nos gabinetes do Tribunal. 

No dia 31 de agosto, após muitas desculpas e enrolações por parte do TRT (e do Sintrajufe, que se furtava de adotar uma postura mais forte), em reunião do NAS, o Luta Sintrajufe – que acompanhava todo o processo - apresentou proposta de indicativo de paralisação no dia 6/9, que foi acolhida por unanimidade, apesar da hesitação do representante da direção do Sintrajufe na reunião. Em 5/9, na assembléia de base da JT, apesar dos apelos dos diretores do Sintrajufe, que se mostravam ‘preocupados com o risco de uma paralisação’ (e não com o pagamento da GAS, como deveriam), foi aprovada por consenso a paralisação de duas horas havida no dia 6, bem como a proposta do Luta Sintrajufe, de que a paralisação ocorresse na forma de vigília em frente ao gabinete do presidente do TRT, e não em frente ao prédio, como propôs a direção.

Durante a paralisação, nos surpreendemos com a truculência da administração do TRT, que desautorizou a vigília em frente ao gabinete do presidente, afrontando a autonomia e a liberdade do movimento sindical e da deliberação de assembléia. Mesmo assim, realizamos um forte ato em frente ao TRT, denunciando a postura da presidência e exigindo a implementação imediata da GAS.

É necessário observar que, em todos os eventos em que o Luta Sintrajufe esteve presente, os diretores do Sintrajufe lançaram provocações, nos acusando de promover uma disputa ‘eleitoral’ em detrimento da unidade em torno da GAS, e inclusive fomos questionados pelo fato de que representantes da oposição que não tinham ligação com a área da Segurança se faziam presentes às reuniões. Essa postura não só ataca a própria unidade pelas reivindicações da categoria (como a GAS) como prejudica qualquer debate sério sobre nossa organização sindical. A opção política de não pagar a GAS não era apenas uma afronta contra os colegas da Segurança e do Transporte; configurava um desrespeito ao PCS conquistado por toda a categoria, e o Sintrajufe deveria não só acolher os colegas que buscam contribuir para a mobilização, mas também ter convocado o restante da categoria.

A paralisação surtiu resultados, pois claramente mexeu com os brios da administração do TRT, tendo em vista a ‘proibição’ do ato e os apelos de diretores, que vinham solicitar ‘calma’ – como se a mobilização possuísse alguma intenção desordeira - prometendo resultados quanto à GAS para breve. Além disso, o fato de que o presidente do TRT esteve longe do Tribunal durante a paralisação evidencia o desconforto causado. No final do dia 6, vinha a notícia de que estava autorizado o imediato pagamento da GAS.

É necessário fazer uma dupla crítica quanto ao processo de implementação da GAS: à direção do Sintrajufe, que além de não ter se mostrado competente para lidar com a demora, dando foco à mera verbalização (afinal, mobilizar a base e tensionar o debate com ações políticas também são meios de obter êxito em negociações), priorizando a conversa, ignorando os apelos da base e setorizando o debate, deixando os setores de Segurança e Transporte à deriva e sem o apoio do conjunto da categoria; e à administração do TRT, que se mostrou descomprometida com a valorização do servidor (e a conseqüente qualificação da prestação jurisdicional), demonstrando claramente que não vê como prioridade a solução de questões como essa. É preciso que ambas as instituições avaliem o histórico recente e busquem modificar suas posições.

Ao final do processo, nos resta a gratificação pela vitória quanto à implementação da GAS e ao reconhecimento à atuação do Luta Sintrajufe, expressa pela direção do nosso sindicato em assembléia. Outros desafios vêm por aí e devemos estar atentos. Parabéns aos Agentes da JT pela belíssima vitória.


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